Greca critica uso exagerado do inglês na Academia Paranaense de Letras
- Postado em 27 de agosto de 2009, quinta-feira -


 

O presidente da Cohapar, Rafael Greca, discorreu na quarta-feira (26), durante encontro da Academia Paranaense de Letras (APL), sobre o uso exagerado de palavras em inglês na língua portuguesa. Com o tema ‘A língua portuguesa, nosso patrimônio cultural’, Greca disse que a armadilha não é só usar termos em inglês de forma exagerada, mas também exibi-las sem tradução. “ Isso exclui, isola e evita o contato entre as pessoas”. Segundo ele, o debate sobre a língua portuguesa não pode cair na peculiaridade exótica de tentar se proibir as traduções. “Toda tradução é ir ao encontro do outro, de quem ainda não sabe. É um ato de educação, que preserva a cultura e a comunidade nacional”.

Rafael Greca cita o exemplo oferecido pelo senador Ronaldo Cunha Lima para que se compreenda o que o inglês tem feito com a língua portuguesa: “fui ao freezer, abri uma coca diet, e saí cantando um jingle, enquanto ligava o meu disc player para ouvir uma música new age. Precisava de um relax. Meu check up indicava stress. Dei um time e fui ler um bestseller no living do meu flat. Desci ao playground, depois fui fazer o meu cooper…”.

Ao mesmo tempo que critica o excesso de termos em inglês na linguagem comum e defende a tradução destes termos, Greca lembra que muitas palavras em português têm sua raiz em outras culturas, um ponto importante para se entender a própria língua, já que é um instrumento vivo e dela faz parte todo o intercâmbio. “Observemos o nome de Deus em diversas línguas, desde o indo-europeu até o português, que tem a impressionante manutenção da semelhança do Santo Nome em todas as línguas”. Ele cita que Deus é, em latim, Divus, Divo em eslavo, Dyaus Pitah em indiano e Deivai em persa”.

O jornalista e membro da APL, Adherbal Fortes Sá Júnior, comentou a importância deste debate para a preservação das raízes da língua portuguesa. “A etimologia é uma coisa importantíssima para nós que vivemos todo dia resolvendo problemas de português e esses problemas geralmente são resolvidos quando você olha para a origem das palavras. O Rafael Greca é uma pessoa que tem essa cultura maravilhosa e uma visão política do ensino e nos mostrou como você usa as informações e como essas informações precisam ser, em determinado momento, alertadas sobre uma perda do foco. E foi isso o que ele fez conosco, nos motivou a recuperar o foco”.

Para o presidente da Academia Paranaense de Letras, José Carlos Veiga Lopes, o assunto apresentado por Rafael Greca é oportuno e deve ser levado para outros públicos. “A língua portuguesa é um assunto sempre do momento e tem de ser valorizada, principalmente com essa última reforma ortográfica e com essa invasão de palavras estrangeiras. É um assunto muito oportuno e seria de fundamental importância que fosse levada para outros públicos, além da APL”.

Já o reitor da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC/PR), Clemente Ivo Juliatto, “a história é o que nós somos, cultura é isso, é a língua, a religião, os costumes do povo, enfim tudo isso, e nós temos que preservar, porém abertos sempre às novidades, pois o português de hoje talvez não seja o mesmo daqui a 200 anos”.

Rafael Greca finalizou valorizando o papel da Academia. “A APL está saindo das suas quatro paredes para tentar provocar um melhor educação do povo paranaense. A nominação do Paraná, hoje o segundo estado do país em desenvolvimento, segundo pesquisa da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro, por seus avanços na educação, cultura e saúde, nos dá a responsabilidade de sermos ainda melhores.”

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