Greca não vai disputar as prévias do PMDB
O presidente da Cohapar, Rafael Greca, não vai participar da pré-convenção do PMDB que, no dia 29 de março, irá escolher o candidato do partido à sucessão do prefeito Beto Richa.
Numa reunião com a bancada do PMDB na Assembléia Legislativa, na manhã desta quarta-feira, comunicou sua decisão aos deputados do partido. Greca não escondeu sua vontade de ser candidato, mas desde que haja um consenso em torno de seu nome.
Apesar de alguns peemedebistas, como os deputados Alexandre Curi e Luiz Cláudio Romanelli, questionarem a pré-convenção - não é, segundo eles, a melhor forma para a escolha do candidato, já que gera ruptura - o presidente municipal do partido, Doático Santos, afirma que ela está mantida, tanto é assim que, neste sábado, o PMDB de Curitiba lançará o edital de convocação, abrindo o prazo para inscrições.
Doático não quis entrar no mérito da decisão de Rafael Greca. Na verdade, já sabia desta decisão desde a semana passada. Segundo ele, gostaria que Greca participasse do processo eleitoral, mas não da forma como ele quer.
– Ele (Greca) gostaria de ser ungido candidato, que estendêssemos o tapete vermelho. O partido o respeita, mas o processo passa pela disputa. No PMDB não tem unção, mas eleição, disse.
Para o deputado Luiz Cláudio Romanelli, que também não entrou no mérito da decisão de Greca, as prévias são interessantes, mas seria "muito mais interessante que o partido aprofundasse a discussão e construísse o consenso sobre a candidatura até para não ir dividido para a campanha eleitoral".
– Está faltando uma discussão sobre o tema para buscar o melhor candidato até para que o partido possa negociar alianças. O Doático deveria reunir o Conselho Político e aprofundar este debate, propôs Romanelli, dizendo que não está "convencido" que a pré-convenção sena a melhor solução.
Romanelli defendeu que o candidato do PMDB tenha condições de "peitar o status quo, tenha capacidade de se contrapor (à candidatura de reeleição do prefeito Beto Richa)".
– Não pode ser um candidato frouxo, disse.
O deputado Alexandre Curi, que preside o Conselho Político do PMDB de Curitiba, também defendeu uma discussão mais aprofundada sobre o candidato do partido.
Deveríamos buscar um entendimento porque uma prévia sempre provoca um racha, disse, lembrando a eleição de 2.004. Naquele ano, a convenção do PMDB decidiu pela aliança com o PT em detrimento da candidatura própria, defendida pelo deputado Gustavo Fruet, que acabou saindo do partido.
Desagravo a Greca
No sábado, o PMDB abre, também, os festejos comemorativos aos 42 anos do partido. Entre as comemorações, a entrega da Medalha Ulysses Guimarães ao presidente da Cohapar, Rafael Greca.
É, segundo o presidente municipal do partido, Doático Santos, um desagravo aos "ataques que Greca vem sofrendo nos últimos tempos".
Um jovem
O deputado Reinhold Stephanes Júnior, que decidiu participar da pré-convenção, defendeu que o PMDB escolha um "candidato jovem" para a disputa eleitoral.
E como jovem cita, além dele, os deputados federais Marcelo Almeida e Rodrigo Rocha Loures.
Na sua avaliação, um jovem teria "garra", projetaria o partido, que estaria formando uma nova liderança política.
Direcionada
Stephanes Júnior disse não ter dúvidas que a pré-convenção do PMDB está direcionada, que todos os "esforços" da cúpula do partido são no sentido que a escolha recaia sobre o reitor da Universidade Federal do Paraná, Carlos Augusto Moreira.
Apesar disso, não joga a toalha.
Pediu e já recebeu a lista dos 103 convencionais e daqui até o dia 29 de março pretende ligar para todos eles, pedindo votos.
Enquete
O site frenteampla.com, que leva a assinatura de Doático Santos, está fazendo uma enquete sobre o candidato do PMDB à Prefeitura de Curitiba.
Até o final da tarde desta quarta-feira o reitor da UFPR, Carlos Moreira, estava na frente, com 48% dos votos (331votos).
O deputado Stephanes Júnior era o segundo, com 42% (289 votos).
Com 31 votos, Greca vinha em terceiro e, na seqüência, Rodrigo Rocha Loures (18 votos), Mauro Moraes (14 votos) e Marcelo Almeida (4 votos).
PC do B lança Gomyde
Agora é oficial. O PC do B lançou na noite de terça-feira a candidatura do presidente da Paraná Esporte, Ricardo Gomyde, como candidato do partido à sucessão do prefeito Beto Richa.
Gomyde destacou que o PC do B terá chapa própria pela primeira vez na história política de Curitiba e que a candidatura à sucessão do prefeito Beto Richa "é o reflexo dos entendimentos junto ao PT e ao PMDB".
– Temos o entendimento de que quem for para o segundo turno receberá o apoio dos outros dois partidos, destacou, referindo-se ao protocolo de intenções assinado em abril de 2007 entre o PC do B, PMDB e o PT.
E o que era para ser uma simples reunião, acabou se transformando num ato político suprapartidário de oposição ao prefeito Beto Richa.
O reitor da Universidade Federal do Paraná, Carlos Moreira Júnior, do PMDB, participou do evento e não poupou a administração municipal tucana e afirmou que a candidatura do PC do B "ajuda a fortalecer o campo oposicionista na cidade".
PTB lança Fábio
Nesta quinta-feira será a vez do PTB de Curitiba lançar a candidatura do deputado Fábio Camargo à sucessão do prefeito Beto Richa.
Será durante a convenção municipal marcado para as 16 horas, no Hotel Paraná Suíte, que elegerá Rodrigo Martinez, filho do ex-deputado federal José Carlos Martinez, presidente do PTB na Capital.
Para o deputado Fábio Camargo, o PTB tem todas as condições de ter um bom desempenho nas eleições municipais deste ano.
– Tenho propostas boas e inovadoras para Curitiba. Minha candidatura será um bom instrumento para discutir os principais problemas da cidade e tenho certeza que estarei no segundo turno, diz o pré-candidato.
Na avaliação do deputado, a eleição em Curitiba ainda não está polarizada porque a campanha ainda não começou.
Todos os que aparecem nas pesquisas já concorreram a cargos majoritários. Quando tiver a oportunidade de apresentar minhas propostas nos programas de TV tenho certeza que a população vai aceitar e dar fôlego à minha candidatura, espera.
Fogo amigo
O deputado petista Péricles de Mello foi à tribuna da Assembléia Legislativa para destacar - e elogiar - a política social do governo Lula.
Segundo ele, é graças a esta política que a direita brasileira ficou sem bandeira.
O deputado peemedebista Reinhold Stephanes Júnior, em tom de ironia, concordou.
– Também pudera, o PT roubou todas elas…
Stephanes Júnior é filho do ministro de Agricultura do governo Lula, Reinhold Stephanes.
Entre aspas
– O O governador é consumidor, paga a conta, por isso questionou o reajuste de 14%.
Do líder do governo na Assembléia Legislativa, deputado Luiz Cláudio Romanelli, sobre a decisão do governador Roberto Requião de não autorizar o reajuste da tarifa de água da Sanepar.
Gleisi faz palestra
A pré-candidata petista à prefeitura de Curitiba, Gleisi Hoffmann, faz palestra nesta quinta-feira no auditório do Sindimetal, em Curitiba. O tema será "a mulher como agente de transformação na sociedade".
Gleisi, que é convidada da Associação das Micro e Pequenas Empresas de Curitiba e do Movimento Nacional para Recuperação das Empresas Brasileiras, e é a única mulher presidente de um partido político no Paraná, vai contar a sua experiência profissional na equipe de transição do Governo Lula, quando ajudou a internalizar os investimentos da Petrobras, e na diretoria financeira da Itaipu Binacional, além de seu trabalho na área de gestão pública no Mato Grosso do Sul e em Londrina.
Quem quiser assistir à palestra basta levar dois quilos de alimentos não perecíveis.
O evento está marcado para 19 horas e o endereço é rua Almirante Tamandaré, 1133, Alto da XV.
Reforma tímida
A reforma tributária proposta pelo governo Lula é tímida.
A avaliação é do deputado paranaense Luiz Carlos Hauly, do PSDB, que defende mais ousadia até porque "o acerto do texto tributário será o acerto do futuro do Brasil".
Para Hauly, é preciso resolver o problema do ICMS, que é o maior nó do sistema tributário nacional.
Ao invés do IVA estadual, a proposta de emenda à Constituição apresentado por ele, prevê um imposto seletivo monofásico sobre 10 produtos. 400 mil itens ficariam isentos de impostos e apenas 10 itens da economia pagariam impostos.
Segundo o deputado tucano, a receita de Estados e Municípios seria mantida.
– Não haveria perda de receita e nenhum tipo de comida, de remédio, de roupa, pagaria imposto no Brasil, afirmou.
Dessa maneira, segundo Hauly, o Brasil teria um sistema tributário enxuto. Não haveria tributação entre os Estados.
– Acabaria com a interestadual, com a fraude da nota calçada, da nota paralela, plastificada, do crédito frio, da micagem do crédito na exportação. Também acabariam as ações na Justiça, afirmou.
Publicado no jornal Hora H - 28/02/2008