- Postado em 28 de dezembro de 2010, terça-feira -

 

Ninguém melhor que Jano bifronte, a divindade romana que simultaneamente olhava para frente e para trás, para significar a necessária reflexão ao romper deste ano novo.
Jano, deus dos términos e dos começos, era na mitologia considerado o porteiro celestial. Sempre representado com duas cabeças, o olhar inquieto a prescrutar o passado e o futuro.Protetor de janeiro, abria as portas para o novo tempo a cada romper de ano.
Senhor das encruzilhadas, Jano era também o deus das indecisões. Refere a mitologia que se uma de suas cabeças falava algo,a outra retrucava de maneira diferente. Talvez porisso nem as todas as previsões de ano novo se tornem realidade. Bons augúrios de ano novo !

- Postado em 28 de dezembro de 2010, terça-feira -

 

Vocês sabiam que até a metade do século dezenove não havia um método para se saber a hora certa do ano novo ?
Cada nação ajustava seu relógio com horas diferentes, nem sempre coerentes entre si.
Até o advento dos balões aerostáticos e das máquinas a vapor, usada em trens e navios, sucesso na revolução industrial inglesa do século 19 ninguém notava as diferenças de horário. Os dias tinham as horas do sol e da lua, marcados por ampulhetas e relógios de sombra. As matinas e as vésperas marcadas pelo repicar dos sinos das igrejas. À proporção que os deslocamentos humanos ganharam velocidade, começou a aumentar a confusão nos horários.
O senador do Canadá, Lorde Sanford Fleming, em 1878, teve a genial ideia de criar o horário padrão universal, baseado em 24 fusos horários verticais, ao longo dos 360º da esfera terrestre, a partir de um marco zero – ou linha do novo dia – na ilha de Kiritimati, no meio do Oceano Pacífico. Ali começa cada dia,logo também começa cada ano novo.
As horas, ou fusos horários, tem 15º de largura longitudinal. Por isso o imenso Brasil tem duas horas legais, a de Brasília e a do Acre, no extremo oeste.
Poderia ainda ter uma hora do Cabo Branco na Paraíba, no seu extremo leste.
O sistema Fleming, útil para definir sem confusão o horários dos trens do império britânico, foi adotado mundialmente na Conferência Mundial dos Meridianos, sediada em Washington, em 1884.
Por isso, Lord Fleming seria chamado O Senhor do Tempo por Clark Blaise, num livro clássico com o mesmo nome. Por isso também a expressão pontualidade britânica.

- Postado em 28 de dezembro de 2010, terça-feira -

 

Percorra conosco a virada de ano ao longo do mundo, claro que no sentido horário. 2011 alvorece em Kiritimati. Naquela ilha não tem réveillon, porque quase não mora ninguém, menos de 150 seus habitantes.
Festa mesmo só na torre de Auckland, na Nova Zelândia e na ponte de Sydney, na Austrália.
E por aí vamos: o sol raia em Palau, na Micronésia, em Tóquio e Pequim – ali ninguém liga, pois o ano novo chinês, lunar, chegará só no começo de fevereiro, este ano dedicado ao signo do Coelho. Dali o início de 2011 acontece junto à porta da índia, em Mumbai.
Para explodir, superlativo e novo-rico, na profusão de fogos de Dubai e Moscou.
Por fim entra no ocidente, chega a Berlim, Roma e Londres, na hora europeia de inverno.
Atravessa o Oceano Atlântico e explode, sob as bênçãos de Iemanjá, diante de uma multidão extasiada, em profusão de cores na praia de Copacabana.
Dali, a festa chega a Buenos Aires. Mais lânguida, em ritmo de tangos entre vinhos andinos.
No Times Square gelado, a praça do tempo prende a respiração no descer da grande maçã luminosa e mecânica que despenca de uma torre no coração de Nova York.
O brilhante carro da aurora de 2011 chega então à Califórnia, quando espocam fogos sobre a ponte Golden Gate, às portas da cidade de San Francisco, já de novo no Oceano Pacífico. Depois disso, mais um pouco de tempo, e já será outro dia,o segundo do ano novo.

- Postado em 28 de dezembro de 2010, terça-feira -

E o anjo voltou a sobrevoar Istambul, como nos tempos em que era a nova Roma, Constantinopla, sede e patriarcado do império romano cristão.
Terminou esta semana a remoção dos andaimes em Santa Sofia, a basílica bizantina transformada em mesquita a partir de 1493 , depois museu em 1935.
Após 17 anos coberto por andaimes, pode ser novamente apreciado o colossal vão de 32 metros da mais famosa cúpula da antiguidade.
O restauro de Santa Sofia começou em 1993, assim que a Unesco declarou a colina Sultanamet – bairro histórico de Istambul – patrimônio cultural da humanidade.
Após fixar e polir 600 metros quadrados de mosaicos bizantinos, os restauradores ocuparam-se das caligrafias otomanas. Os nomes dos oito profetas afixadas em escudos de bronze, nas colunas do templo, foram recobertos de ouro, conta o arqueólogo chefe Melike Oskam.
O rosto do Serafim de asas de fogo, que voltou intacto da noite dos tempos, foi a descoberta mais espetacular. Isto foi possível após a remoção do espesso estuque, cal com pasta metálica , com que todas as imagens sagradas foram cobertas assim que a famosa Basílica deixou ser uma igreja católica para se tornar mesquita, quando da tomada de Constantinopla pelos turcos.
O sultão Mehmet, o Conquistador, não permitiu que seus soldados destruíssem a basílica, desejou-a para si, como símbolo de sua glória e centro do seu novo império. Mehmet quis entrar para a história ao lado de Justiniano, o construtor da basílica, e conseguiu.
Salomão, eu te venci! – conta o historiador Procópio de Cesárea – foi o que exclamou o imperador Justiniano quando viu Santa Sofia terminada.
Era a noite de Natal do ano 537, quando o imperador Justiniano e sua mulher Teodora entraram triunfalmente naquela que seria a igreja centro do seu novo mundo: o império romano cristão.
Levíssimos tijolos de lava vulcânica, cada qual com a expressão Deus sustenta gravada no barro cozido, formam o vão de 32 metros da cúpula. Afinal, naquela época ainda não fora descoberta técnica de vencer a gravidade construindo com cimento armado com ferros.
Os imperadores bizantinos não pouparam recursos para a obra dedicada à Divina Sabedoria – este o significado de Hagia Sofia, Santa Sofia.
Mandaram vir mármore verde de Tessália, pórfiro do Egito e da Índia, rochas negras do Bósforo, mosaicos de ouro e de pedras preciosas e todas as colunas do templo de Diana – em Éfeso- listado por Heródoto entre as sete maravilhas da antiguidade, infelizmente demolido para este fim..

Ante tanta beleza, no dia de sua inauguração, o povo de Constantinopla murmurava: um anjo quem revelou as plantas da nova igreja a Justiniano. Teria sido este mesmo anjo de olhar sublime, com sete asas douradas, que volta a nos contemplar 517 anos depois de ter sido coberto com estuque?


- Postado em 23 de dezembro de 2010, quinta-feira -


O blog volta a ser atualizado depois das festas. Com estas imagens do nosso presépio napolitano, desejamos aos estimados leitores um abençoado e luminoso Natal. Possam os anjos guardar todos os nossos caminhos. Felizes festas.


- Postado em 23 de dezembro de 2010, quinta-feira -

 
Vale a viagem ao Rio de Janeiro. Depois de 53 anos o Theatro Municipal volta a abrigar os colossais painéis Guerra e Paz, do pintor Cândido Portinari, trazidos de volta ao Brasil para restauração. Sua exposição pública, antes do restauro, abriu terça,21, e vai até 30 de dezembro, conforme nosso blog já comentou em primeira mão.
Ontem, no Rio, as duas Fernandas, Torres e Montenegro, foram ver Guerra e Paz, acompanhadas do pequeno Antônio,filho e neto das duas notáveis atrizes.
Antes da exposição dos painéis, a grande dama do nosso teatro leu o poema A Mão ,dedicado a Portinari por Drummond. Carla Camurati, autora de filme sobre Candinho Portinari, dirigiu a cena.

Milton Nascimento apresentou duas músicas inéditas Conversas, desenhos e pintura, feita com Ricardo Vogt, e Guerra e a paz de Portinari, em parceria com Fernando Brant, especialmente encomendadas para o evento.
Ana Botafogo encarnou o anjo da paz, coreografia do norte-americano David Parsons, ao som da Orquestra Jovem Sinfônica Brasileira.
Depois da gravação de Passione, Maitê Proença também apareceu por lá para aplaudir, fotografada diante dos espelhos do Assirius, o esplendoroso salão de recepções do Theatro Municipal carioca que evoca a Babilônia.
O presidente Lula autorizou tudo, mas não conseguiu chegar. Ali representado pelo chanceler Celso Amorim, ministro chefe do Itamaraty, e por Luciano Coutinho, presidente do BNDES, que paga a conta.
Os painéis foram doados como contribuição cultural à ONU e inaugurados na sede da instituição em NY a dia 6 de setembro de 1957. Para a inauguração, os EUA negaram o visto no passaporte do autor. Cândido Portinari (1903-1962), comunista confesso, o que era considerado crime grave, naqueles anos de guerra fria.
Para permitir ao grande artista brasileiro a visão completa de sua grande obra, o presidente JK teve a feliz ideia de montá-los, para exposição ao povo, e apreciação do artista, no palco do teatro – um dos poucos locais da capital carioca com pé direito superior aos 14 metros de altura do painel.
O feito repetiu-se esta semana, num admirável esforço do Projeto Portinari, desde 1979 coordenado por José Cândido Portinari, dedicado filho do pintor e mestre.
Guardar bem não é esconder. É mostrar, já disse o poeta Antônio Cícero.
Bem que José Cândido poderia dedicar-se a tirar dos cofres do Banco Central, em Brasília, as quatro telas de Portinari sobre o ciclo do café – que pertenceram ao acervo Bamerindus, estiveram expostas no Palácio Avenida em Curitiba. Desde a liquidação do banco paranaense, os quadros jazem na escuridão do cofre forte, em Brasília. Quem sabe expô-los, em comodato, no Museu Oscar Niemeyer, aqui em Curitiba.

- Postado em 23 de dezembro de 2010, quinta-feira -

 
Durante quatro meses o mais belo palácio da Renascença estará aberto à visitação pública, no coração de Roma. O Palazzo Farnese, hoje sede da embaixada da França junto à República Italiana, belo imóvel ,já residência dos Farnese, a mais opulenta família principesca da Roma papal. No escudo de guerra, seu lema era A Felicidade do Povo é a Virtude dos Governantes.

Lá estive por duas vezes em visitas oficiais, acompanhando o então prefeito de Curitiba e depois ministro Rafael Greca de Macedo. As portas se abriram por gestões de dois embaixadores do Brasil em Roma, nossos amigos Orlando Carbonar, do PR e Andrea Matarazzo, de SP. Quando cursava, em Roma, História da Arte e Arqueologia na Escola Dante Alighieri também tive ocasião de visitar com meu professor aqueles notáveis espaços do humanismo. Ali muito aprendi.
O palácio foi erguido pelo cardeal Alessandro Farnese (1468-1549), que, em 1534 , seria eleito papa e tomaria a tríplice tiara com o nome de Paulo III. Exatamente o Papa do Concílio de Trento e da Contra-Reforma, em reação a Martinho Lutero. Seu retrato pintado por Tiziano é conservado no Museu Capodimonte em Nápoles. Volta agora a ser exposto em Roma.
A construção do edifício começa em 1514, dirigida pelo arquiteto Antonio da Sangallo, o jovem.Prossegue sob as ordens de Michelangelo entre 1546 e 1549.
De Michelangelo, as escadarias levíssimas, que se sobe sem sentir, com os degraus tão bem proporcionados que não causam cansaço, e o genial corrimão embutido na parede – ninguém nunca mais fez algo semelhante. Também do mestre, a fachada onde se alternam as ordens dórica, jônica e coríntia, nas molduras das janelas abertas para a praça. Vignola e Giacomo della Porta concluíram a edificação monumental só em 1589.
Os cardeais nipotes, ou sobrinhos e netos do Papa, Ranuccio, Alessandro e Odoardo Farnese, descendentes de Paulo III, entregaram aos maiores artistas do seu tempo a decoração em afresco dos salões do palácio familiar. Em 1560, Salviatti pintou em afrescos gloriosos o grande salão dos Fastos Farnesinos . Em 1600, os irmãos Anníbale e Agostino Carracci, de Bolonha pintaram o salão chamado Il Camerino com a epopéia de Hércules.
Destaque para o afresco Hércules na Encruzilhada, inspirado no verso de Ovídio que refere a indecisão que assola deuses e mortais entre dois caminhos, o Apolíneo e o Dionisíaco, o caminho do dever e o do prazer.
Por fim, os Carraci pintaram, durante vinte anos, a arcada da galeria, com o triunfo da Aurora e do Amor, sempre com cenas mitológicas alegóricas às virtudes dos príncipes mecenas.
Notável também o afresco que retrata Ranuccio Farnese no papel de Enéas, povoador de Roma, marido de Lavínia, genro do rei Latino, sobrevivente da guerra de Tróia, personagem de Virgílio.
A fabulosa coleção Farnese de esculturas gregas e romanas, pinturas, objetos e livros de arte dispersou-se por dezenas de museus europeus e coleções do mundo inteiro, partida por casamentos, inventários, guerras. Aqui, um armário de relíquias, conservado no museu Ecouen na França, que volta a Roma. E a tela do Cristo com a Cananéia, de Annibale Carraci.
No começo do século 19, quando a nobre família romana se extinguiu, a última Farnese era rainha de Nápoles, mãe do rei Ferdinando IV. Por isso parte expressiva do acervo passou por herança, aos Bourbon. Hoje esta preciosidade é conservada no Museu Arqueológico Nacional de Nápoles, talvez um dos maiores tesouros do mundo.
De Nápoles, vieram quase todas as estátuas, a Afrodite Calipígia, o Atlante, seus ombros a suportarem o peso do mundo, o busto do imperador Adriano. O Apolo com sua cítara, vestidoem pórfiro vermelho da Índia que, no tempo dos Farnese, ficava ao centro do jardim romano , também retornou de seu exílio napolitano…
Ficaram em Nápoles, apenas o Touro supliciando Dirce e o Hércules (foto abaixo), conjuntos escultóricos gregos, muito grandes, muito frágeis e muito pesados, para voltarem a sua antiga casa. Há no palácio romano uma réplica deste original grego que remonta à antiguidade clássica, trazido pelo cardeal Alessandro Farnese desde as ruínas do Fórum romano.
A maioria dos romanos desconhece o interior do Palácio Farnese, só admiram sua fachada austera, diante de duas fontes que jorram de colossais banheiras romanas em mármore, trazidas das Termas de Caracala. Sempre fechado ao público, só recebe visitantes ilustres, com hora marcada. Mas, sempre permanecem abertas as janelas dos salões, com o teto iluminado, para compartilhar com os passantes os afrescos de rara beleza, do pintor Salviatti.
A coleção de arte do velho palácio quinhentista continuou sendo enriquecida. No começo do século vinte ganhou este belo Rodin, Homem que caminha. Desde esta véspera de Natal até a Páscoa de 2011, por 4 meses, o Palácio Farnese faz uma operação de portas abertas, capaz de reviver seus faustos.

- Postado em 21 de dezembro de 2010, terça-feira -

Vêm aí Vinte Mil Léguas Submarinas de Júlio Verne em 3D. É o novo sonho do diretor David Fincher, revelar nas grandes telas os terríveis monstros marinhos e as profundidades abissais, multiplicados pelos recursos da moderna tecnologia.
Fincher disse ontem em Los Angeles que quer algo épico, ainda melhor do que seu O Império contra-ataca. A última grande adaptação ao cinema do clássico livro de aventuras foi de Walt Disney, em 1954, com James Mason – Capitão Nemo – no comando do submarino Nautilus e Kirk Douglas como o impulsivo arpoador Ned Land. Quem ainda lembra? Só os bons velhinhos, ou quem viu em vídeo.
O enredo de Jules Verne (1828-1905), escritor francês futurologista, é singular e empolgante: Em 1868, a navegação marítima é ameaçada pelas ações devastadoras de um possível monstro marinho, o que provoca missão de uma fragata da Marinha dos EUA, que no primeiro embate com o monstro, vai a pique.
Entre os sobreviventes apenas três tripulantes liderados pelo arpoador Ned Land. São salvos por um inacreditável submarino, o Nautilus concebido, construído e comandado pelo Capitão Nemo.
Quando Verne escreveu, submarinos também eram coisa de ficção. Só seriam construídos muito depois.
Os alunos de ginásio, durante todo o século 20, ouviram falar de Verne. Seus livros Viagem ao Centro da Terra, A volta ao mundo em 80 dias, Desde a Terra até a Lua, e Vinte mil léguas submarinas, fascinaram o público juvenil e multiplicaram a imaginação. Muitos cientistas da Nasa despertaram para sua atual carreira lendo o romancista.
Em pleno século 19, no tempo das carruagens e dos candelabros, o futurista Jules Verne já ousava escrever tudo o que um homem pode imaginar, outros homens são capazes realizar.Ou ainda: um dia iremos à Lua e aos planetas, com a mesma facilidade com que hoje vamos de Liverpool a Nova York. Estamos quase chegando lá.

 

 


- Postado em 21 de dezembro de 2010, terça-feira -

 A Cúpula Social do Mercosul, com a presença de 16 chefes de estado, aí incluído o presidente Lula, rende frutos de marketing positivo para Foz do Iguaçú. E também encerra a diplomacia da era Lula, com chave de ouro. Hoje, o mais importante jornal italiano, La Repubblica on line, estampa em sua primeira página esta bela foto das Cataratas do Iguaçu.
O jornal – de leitura globalizada pelos que falam italiano destaca sob o título Acqua e Foresta, lo splendore delle Cascate Iguazu que são 275 as cascatas, que se derramam ao longo de 3 quilômetros de rio, com vazão de 1750 m3/s. O texto compara a superioridade de Iguaçu a Niágara Falls e à Victória Falls, na África. E indica Foz do Iguaçu como o destino turístico para visitar as Cataratas.

 

 

 


- Postado em 20 de dezembro de 2010, segunda-feira -


Ir ao Marrocos, o incrível reino muçulmano que domina a parte nordeste do deserto do Sahara, na África, é uma aventura digna das narrativas das mil e uma noites. Viaje com o blog, embarcado na sela de um camelo. Na paisagem, as cores fortes do estilo mourisco que também brilhou do outro lado dos pilares de Hércules, além do estreito de Gibraltar, na Andaluzia, hoje parte da Espanha.

No reino inteiro, que compreende Casablanca, Rabat, Fez , Tanger e Marrakesh, a última cidade tem maior magia. Seus hotéis servem-se de antigos riads – ou casas senhoriais de grandes famílias islâmicas – para revelar surpreendentes panoramas. Mas, o mais fascinante é o grande Jardim de Marrakesh, com água de fontes murmurantes, tamareiras, e os montes nevados no horizonte.

Não longe dali, o fabuloso hotel La Mamounia, um oásis no deserto, felizmente conservado. Seu restauro custou US$ 176 milhões. Reabriu suas portas este ano. Foi ali que Winston Churchill convidou Franklin Roosevelt para descansar depois das negociações estratégicas durante a Segunda Guerra Mundial.

Cenas do filme O homem que sabia demais, de Alfred Hitchcock, revelam detalhes do vestíbulo do hotel.

Por seus corredores, saguões e suítes, passaram ao longo de quase um século, os Rolling Stones, Charlie Chaplin, Sharon Stone. Yves Saint Laurent gostava tanto de Marraquesh que comprou uma vila ao lado do hotel.
O designer Jacques García, remodelou os interiores nos estilos art déco e árabe-andaluz.  Um spa de oito hectares foi acrescentado à propriedade, em meio a jardins sombreados por palmeiras, tamareiras, laranjeiras e oliveiras.

Apreciem esta suite onde as memórias se traduzem em talhas, azulejos, e refinados detalhes em madeira e couros pirogravados trabalhados ao estilo marroquino.

Três chefs estrelados passaram a comandar os restaurantes: Alfonso Iaccarino, no italiano, Jean Pierre Vigato, no francês, e Rachid Agouray, no marroquino. Ninguém desdenhe da gastronomia num reinado, o couscous é uma das iguarias favoritas, mas nada tem a ver com o prato que leva o mesmo nome no Brasil. Os doces de amêndoas, tangerinas secas e tâmaras são uma tentação.

O lendário hotel fica dentro das muralhas medievais de um local que é proclamado patrimônio da Humanidade.

Mas lá fora, o burburinho dos souks convida a sair. Imperdíveis os mercados repletos de beduínos, contadores de estórias, dançarinos, vendedores de ilusões, encantadores de serpentes, dançarinas do ventre, vendedores de couros e guirlandas de jasmim perfumado.

Bom mesmo, em Marrakesh é perder-se em Djemaa Al Fenaa, o mercado mais animado deste mundo, com ofertas as mais variadas e tentadoras.



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