- Postado em 28 de agosto de 2005, domingo -

Uma decisão do Operador nacional do Sistema (ONS), que comanda todo o sistema elétrico nacional, determinou que o controle das usinas do Paraná será feito a partir de uma central, em Florianópolis, a partir de janeiro de 2006. A medida é conseqüência de um decreto de 1998, assinado pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso, que associou compulsoriamente todas as operadoras do país ao ONS.

A alteração já teve a primeira reação, com o deputado estadual Rafael Greca (PMDB) que pretende entrar com uma ação pública para impedir a transferência. De acordo com o parlamentar, caso seja mesmo transferido o comando do sistema, o abastecimento de energia elétrica no Paraná corre o risco de períodos maiores de interrupção, além de problemas ambientais devido ao erro de controle de vazões das comportas das usinas, e ainda o risco do aumento do preço da tarifa, que seria determinada pelo sistema nacional.

"Hoje, as usinas hidrelétricas do Paraná são operadas por engenheiros e técnicos da Copel, que conhecem profundamente o regime de águas do Rio Iguaçu. No caso da transferência para uma central em Florianópolis, todo o sistema seria operado a distância por computadores", explica o deputado. Greca alerta ainda para o perigo da falta de monitoramente do nível do Rio Iguaçu, que poderia inundar cidades na Região Sul do estado, caso as comportas das usinas não fossem abertas quando houvesse um maior volume de chuvas.

A partir da ação pública, Rafael Greca espera sensibilizar toda a classe política do Paraná para que se mobilizem e evitem a mudança do atual sistema de gerenciamento. "Os engenheiros da Copel acreditam que ainda é possível reverter o processo", afirma o deputado.

A competência da Copel em administrar o sistema foi comprovada, lembra Greca, no período em que o país passou por uma crise de produção de energia (em 2000), período que ficou conhecido como apagão. "Graças à Copel, o Paraná ficou fora do racionamento de energia e ainda garantiu o abastecimento de toda a Região Sul", lembra. "E só não atendeu ainda a outros estados porque não havia condições de transmissão."

Sem ativos

Na criação da ONS pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, ficou determinado que este ente privado seria dono de todas as empresas federais - que pertenciam ao sistema Eletrobrás. Na época, além da Copel, no Paraná, a Cemig, de Minas Gerais, e os sistemas do Rio Grande do Sul e de São Paulo não estavam privatizados (hoje somente Paraná e Minas continuam sob o controle do governo estadual).

"Com isso, este ente (a ONS) que não tinha ativos, ficou como dono de todo o sistema elétrico brasileiro. Empresas como a Copel ganharam um sócio compulsoriamente", explica Greca.

O deputado diz ainda que o consumidor paranaense, no atual sistema, conta com um eficiente atendimento às emergências. "Quando falta luz na chácara onde moro, dou um telefonema e em pouco tempo uma equipe da Copel atende a meu chamado e soluciona o problema. Será que este tipo de atendimento vai continuar com a operação centralizada em Florianópolis?", pergunta.

Outro ponto importante, segundo Greca, é a questão dos custos. O deputado lembra que hoje os consumidores pagam a ONS sem que este ente faça alguma coisa. "O orçamento do operador, em 2005, foi de mais de R$ 294 milhões. Para implantar a transferência do centro serão contratadas novas pessoas e novas instalações que também representam custos a ser repassados ao consumidor", conclui.

COPEL
Empresa confirma a transferência

Todos os fatos levantados pelo deputado Rafael Greca foram confirmados pela direção da Copel através de uma resposta de uma série de questionamentos encaminhadas pelo parlamentar ao diretor presidente da companhia, Rubens Ghilardi. De acordo com a resposta de Ghilardi, a central em Florianópolis passará a controlar também as Usinas sob responsabilidade da Copel - Usina Parigot de Souza (no Rio Capivari) e ainda as usinas de Foz do Areia, Segredo e Salto Caxias, no Rio Iguaçu. Atualmente, a ONS controla as duas usinas que pertencem à Tractebel (privatizadas).

"A operação dos sistemas elétricos, além da especialidade tecnológica exigida dos profissionais envolvidos, requer longa experiência na execução de procedimentos operativos, que somente pode ser obtida pelo conhecimento no local das condições técnicas, geográficas e hidrológicas desse sistema particular", alerta Ghilardi.

Outro aspecto destacado pelo presidente da Copel é que a operação a longa distância, simplesmente por recursos da informática e da comunicação de dados, não abrange situações práticas. "A Copel investe em tecnologia e especialização de seus profissionais em recursos hídricos, o que propiciou à companhia o desenvolvimento de um planejamento energético da operação, que historicamente tem trazido ao estado resultados reconhecidos internacionalmente", destaca.

Ghilardi afirma que as empresas concessionárias vêm questionando a posição da Aneel e da ONS que entendem que a responsabilidade de controlar o sistema é exclusividade do operador do sistema.

O CONTROLADOR
ONS controle energia em todo o Brasil

De acordo com as informações disponíveis no site do ONS ( www.ons.org.br ), o Operador Nacional do Sistema Elétrico (nome oficial) é uma entidade de direito privado, sem fins lucrativos. Ele foi criado em 1998, através de um decreto lei do então presidente Fernando Henrique Cardoso. O ONS é responsável pela coordenação e controle da operação das instalações de geração e transmissão de energia elétrica no Sistema Interligado Nacional (SIN), sob a fiscalização e regulação da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). O Operador é constituído por membros associados e membros participantes.

De acordo com o site ainda, os membros associados são os agentes de geração com usinas despachadas de forma centralizada, os de transmissão, os de distribuição integrantes do SIN, além de agentes importadores e exportadores e consumidores livres com ativos conectados a Rede Básica.

Os membros participantes são o Ministério de Minas e Energia, os conselhos de consumidores, geradores não despachados centralizadamente e pequenos distribuidores (abaixo de 500 GWh/ano).

O Sistema Interligado Nacional é formado pelas empresas das regiões Sul, Sudeste, Centro-Oeste, Nordeste e parte da Região Norte. Apenas 3,4% da capacidade de produção de eletricidade do país encontra-se fora do SIN, em pequenos sistemas isolados localizados principalmente na região amazônica. empresas como a Copel fazem parte do Sistema Interligado Nacional e participa da nos como membro associado.

por Edson Fonseca

Fonte: Gazeta do Povo, Caderno de Política, 28 de agosto de 2005

 


- Postado em 26 de agosto de 2005, sexta-feira -

Acaba a era do petróleo. Este nosso novo século é o da modificação da energia.
Em 2040, nossos filhos verão o fim do petróleo. Nossos netos verão o fim do gás, previsto para o ano de 2063. A energia nuclear é cada vez mais restrita, em 2070 o urânio esgota-se neste mundo.
O futuro está na bio energia. No biodiesel, nos bio lubrificantes, nos bio plásticos, nos bio adesivos, nos bio emulsionantes.
Mantidas as atuais condições de operação da matriz energética mundial, com o petróleo a U$S 66 dólares o barril, - e o preço crescendo na proporção das guerras do Oriente -, tudo leva a crer que a era do petróleo acaba ainda antes do petróleo acabar.

Refinarias temerárias
Sempre andamos na contra-mão da história. O petróleo norte-americano é leve. As reservas de petróleo leve terminam em 20 anos e já são escassas.

O petróleo brasileiro é denso. Fazer novas refinarias de petróleo no Brasil pode ser perigoso, temeridade estratégica. Não dará tempo para que se paguem. Seria preciso ampliar as refinarias brasileiras para o petróleo nacional pesado. Estamos fazendo exatamente o contrário.

Aqui mesmo, vão ampliar a refinaria de Araucária em 100%. Dobrar de tamanho. Mas o lucro previsto é de apenas 20%.

Qual é a tinta das naves espaciais?
Você sabia que aviões a jato e até a nave especial Chalenger, são pintados por biotintas, feitas de óleos vegetais? Que as tintas sintéticas, de aditivos de petróleo, não servem para as altas variações de temperaturas?

Apocalipse da petroquímica
Está chegando o fim da petroquímica. A óleo química tem mais vantagens que a petroquímica. Por exemplo, a sensual lingerie das mulheres é feita de óleo vegetal, senão lhes daria alergias incontroláveis. As hastes dos óculos também. O Nylon 11 que substitui o aço nos óculos é de óleo de mamona.

Mesmo assim, o Brasil, como sempre na contramão da história, na era FH, destruiu as empresas de óleo química. Ficamos mais dependentes de importações. Logo nós, que vivemos no paraíso tropical, de terra e de sol.

EUA apostam na biomassa
Em setembro próximo, os EUA soltarão seu plano sobre energias geradas com biomassa, bem mais ambicioso que o Protocolo de Kyoto.

Os americanos já definiram: até 2030 vão substituir 30% da sua matriz energética por biomassa. Logo, logo, ultrapassam o Brasil, com sua produção de álcool de milho. Hoje, colhemos 14 milhões de toneladas por ano, de açúcar de cana. Poderíamos plantar 18 milhões de toneladas. Os norte-americanos, que começaram seu pró-álcool muito depois, já estão em 11 milhões de toneladas de milho por ano.

Biodiesel feito de quê?
Com a opção norte-americana pelas bioenergias, o mundo entra no futuro.

O biodiesel pode ser feito de dendê, de óleo de palmeira, de mamona, de madeira, de bagaço e palha de cana de açúcar, de "pinheiro manso", ou

"jatropha curca" e até, pasmem, de algas marinhas.

Mamona assassina
No governo Lula, a opção brasileira é pela mamona. A pior possível, segundo técnicos que ouvi. A mamona não atende às especificações do mercado europeu. É uma planta de difícil produtividade. Diz-se, nos EUA, que o óleo de mamona - castor oil - faz a polimerização abaixo do piston, em temperaturas relativamente baixas. A mamona produziria ainda um passivo de saúde. Seria altamente tóxica, provocadora de alergias permanentes. Quem faz teste de alergia com mamona, fica permanentemente alérgico. Sem falar que o pólen do castor oil dá problemas pulmonares.

Qual o biodiesel brasileiro ideal?
Neste país abençoado, tudo dá sobre o sol. Temos ciência, falta-nos tecnologia. Nosso biodiesel pode ser de bagaço e palha de cana de açúcar, - como já se tenta em São Carlos do Ivaí, no PR-, de gordura velha de cozinha , -como se está propondo à Copel e à Comec -, e, sobretudo de "pinheiro manso", ou "purgante de cavalo ", arbusto que cresce desde o interior do PR até o Ceará. Planta nativa, poderia ser plantada em todo o país, já que entraria na obrigatoriedade de reserva legal. O Rio de Janeiro, no tempo das lamparinas e lampiões, chegou a ser todo iluminado com "pinheiro manso’.

Riqueza chinesa e indiana?
A Índia e a China já estão fazendo biodiesel de "pinheiro manso" ou "jatropha curca". O professor Kulmar, indiano, prêmio Nobel, perguntado donde trouxe as sementes de "pinheiro manso", para seu exitoso programa, respondeu ao engenheiro brasileiro que perguntava, com uma estrepitosa gargalhada. Trouxe as sementes do Brasil.

Perguntar não ofende
Quando entenderemos que a nossa mais preciosa, e única fonte de energia perene é o sol? Quando saberemos que as outras fontes de energia perecem?

Quando teremos uma estratégia de país, além do simples pagamento de uma dívida? Quando perceberemos que o Brasil, na era da bioenergia, tem tudo para dar certo e ser mais poderoso que a atual Arábia Saudita?

Frase imortal
"Senhor proteja-me dos meus amigos, que dos meus inimigos cuido eu…" Ah, se Lula houvesse lido Voltaire (1694-1778)

Escreva para nós, a sua opinião é muito importante. Teremos imenso prazer em responder: rafaelgreca@sul.com.br


- Postado em 24 de agosto de 2005, quarta-feira -

Richard Schues, diretor da Volkswagen Transport, anunciou que o Porto de Santos tem apresentado graves problemas para as operações de logística da empresa, com a paralisação das obras de dragagem e seu alto custo operacional, hoje 40% mais caro do que em Paranaguá.
Por isso, a Volks brasileira está preferindo operar com o nosso porto público. As declarações do executivo alemão caíram como uma bomba sobre a performance de Carlos Nóbrega, presidente da Agência Nacional de Transportes Aquaviários na Assembléia, nesta segunda (22). E deram ao Governo do Estado o grande argumento para defesa do "Porto é nosso".

Médicos demais?
O primeiro curso de Medicina do Brasil foi instalado em 1808, na velha Bahia, ao lado da Sé de Salvador. O quinto, na Universidade do Paraná, em 1912.
O de número 140, foi instalado na Universidade do Planalto Catarinense , em Lages, em 2004. Acabam de ser abertos os de Ipatinga(MG) e Petrolina (MG). Há 147 cursos de Medicina no país, com oferta anual de quase 13 mil vagas. Nem todas as novas escolas de Medicina autorizadas pelo MEC mereceram a aprovação do Conselho Nacional de Saúde. Contra isso insurgem-se os médicos Ronaldo Rocha Loures Bueno e Maria Cristina Pieruccini, publicando " Abertura de Escolas de Medicina no Brasil - cenário sombrio", com o selo do Conselho Federal de Medicina.

Médicos de menos?
Segundo o IBGE, no censo de 2002, o Brasil tinha 280.370 médicos ativos, para 175 milhões de habitantes. Destes , 140.435 estavam nas capitais. E 139.935 clinicavam no interior. Nas capitais, 1 médico por 254 pessoas. No interior, 1 médico para 951 pessoas.

Vale dizer que há médicos demais? Ou seriam de menos?
Uma verdade dói: neste 2005, um único mês de pagamento dos juros da dívida externa do Brasil, via superávit primário, é igual a toda a verba anual do SUS, Sistema ùnico de saúde.

Faltam estantes, sobra mediocridade
No Brasil moderno já não se encontram estantes à venda nas lojas de móveis.
A ausência de livros nas casas é assustadora. Os vendedores de enciclopédia ouvem: "- Meus filhos dizem que não precisam estudar, pois até o presidente da República, Lula, se pavoneia dizendo orgulhoso que não estudou…" (sic).
Daí às fábricas de móveis não fazerem estantes não é de admirar.

Nem tudo está perdido
Em Curitiba ainda existem duas lojas com o nome "Casa das Estantes". Uma na Anne Frank, outra na Brigadeiro Franco. Com oferta de prateleiras para livros, sem a necessidade de serem contratadas sob medida, com marceneiro específico. Em havendo estantes, que venham abundantes os livros! Com mais leitores, melhoramos.

Antipático imposto sobre a cultura
A Prefeitura de Curitiba cobra medíocre ISS sobre espetáculos teatrais. Isso assustou a produção de "A Casa dos Budas Ditosos", peça sobre o livro de João Ubaldo Ribeiro, onde a talentosa Fernandinha Torres diz picante texto.
A lei é antipática e anti-cultural. Quando fui Prefeito não cobrávamos. Afinal, o ganho com os teatros cheios gera riqueza na cidade de outra forma. ISS nos restaurantes, nos hotéis lotados, no turismo cultural.
E o maior absurdo é que faz-se a cobrança sobre todas as cadeiras do teatro, inclusive as vazias. Ora, se não há espectador pagante não deveria haver ISS.
 
Nery brilha na Biblioteca
Com sua fulgurante inteligência e arguta lucidez política, o jornalista Sebastião Nery brilhou na Biblioteca Pública do Paraná, na noite de segunda-feira (22), com casa cheia. Poucos brasileiros conhecem o Brasil e o mundo como Sebastião Nery.
Começou cedo, com 10 anos, no seminário franciscano da Bahia. Professor de latim e português, estudante de Filosofia e Direito, jornalista desde os 20 anos. Com 22 anos, já em Moscou, a convite do Partido Comunista, fez a Escola de formação de líderes. Em Cracóvia, nesta época, conheceu personagens mundiais como Gorbachev, Berlinger, e o então monsenhor Karol Wojtila, que, depois seria o Papa João Paulo II. Não foi o único santo com quem conviveu. No sul da Itália dos anos 50, visitou o capuchinho estigmatizado, Padre Pio, em San Giovanni Rotondo, no promontório de Gargano, na então paupérrima Puglia.

Nery, campeão da liberdade
Tião não parou em meio século.Vereador em Minas, deputado estadual na Bahia e federal no Rio. Botas militares, na revolução de 64, quase quebraram seu pescoço, por isso o atual defeito físico. Felizmente, para o Brasil, sobreviveu à repressão. Viajou o Brasil todo nas campanhas de Juscelino, em 1955, Lot , em 1960, Ulisses Guimarães , em 1973, das "Diretas Já", em 1984, e de Collor, em 1989. Diz sempre: "- não vim à vida a passeio, vim a serviço."
A palestra na Biblioteca, promoção da Associação dos Amigos da Biblioteca, foi apoiada pelo Hotel Tourist Centro Europeu, que hospedou Nery.

Escreva para nós, a sua opinião é muito importante. Teremos imenso prazer em responder: rafaelgreca@sul.com.br


- Postado em 21 de agosto de 2005, domingo -

Vamos deixar o valerioduto em paz nesta semana e falar da Rua das Flores e cercanias, do centro da cidade e da proposta do Centro Vivo, que está em discussão na Associação Comercial do Paraná, no Ippuc e na comunidade de arquitetos, urbanistas e empresários. Outro dia, houve uma reunião de apresentação dos diagnósticos e pré-propostas para a revitalização de toda a área central da cidade, severamente degradada nas últimas décadas, e as perspectivas são promissoras. Mas ainda há um enorme caminho a percorrer.

Há uma ponta de nostalgia no que vou dizer, mas, que saudades eu sinto de uma época em que a vida das pessoas estava menos confinada aos ghetos de luxo dos shopping centers e às fortalezas dos condomínios horizontais e verticais com suas guaritas, circuitos fechados de tevê, walkie talkies e guardas armados. Que saudades do tempo em que os pés direitos das habitações eram menos claustrofóbicos, as peças mais amplas e ventiladas, em que a palavra convivialidade era declinada no cotidiano das vizinhanças e dos amigos que se visitavam. Para fixar uma época em especial, lembro-me do fim do ano de 1953 quando Curitiba estava em polvorosa com as comemorações do centenário da emancipação política. A família Castor morava em um apartamento alugado na Rua Augusto Stellfeld e não tinha carro, luxo a que só tivemos acesso muitos anos mais tarde. Aliás, talvez tenha sido uma bênção divina pois entre as incontáveis virtudes do então Major Castor não estava incluído o manejo do volante e é provável que a demora para que ele comprasse seu primeiro carro tenha contribuído decisivamente para a sobrevivência do nosso clã. Todas as noites, religiosamente, saíamos de casa, andávamos três quarteirões para pegar um ônibus na Rua Vicente Machado e íamos fazer sabe o quê? Passear na Rua XV, ver vitrines, conferir as novidades, conversar com amigos e conhecidos que haviam tido a mesma idéia, ver as luzes da cidade, sentir seus cheiros, cruzar com suas figuras típicas.

Obviamente, isso é passado e tentar ressuscitar estilos de vida que já não existem mais é uma tentativa tão fútil como tentar ressuscitar os corsos de carnaval ou o footing. No entanto, é deprimente constatar que todo aquele acervo histórico e afetivo da cidade, que é o seu centro, está simplesmente relegado ao abandono e entregue a utilizações cada dia mais degradantes, de muquifos, cafofos, locais para desocupados cheirar crack e "hotéis" em que os que os politicamente corretos chamam de trabalhadores da indústria do sexo encontram seus parceiros. Essa degradação é reversível desde que exista uma conjugação de esforços privados e públicos para isso. Outras cidades do mundo revitalizaram bairros inteiros como aconteceu com Georgetown em Washington, o Times Square e o Brooklin em Nova Iorque. Esses projetos são complexos, demorados e caros, mas, a partir de um certo ponto, ganham dinâmica própria e as áreas passam a se auto-regenerar.

É necessário, no entanto, ter coragem de enfrentar os problemas do centro sem se apegar a crenças preestabelecidas ou idéias românticas: reformular as políticas de estacionamento e circulação de veículos, criar estímulos financeiros e fiscais para atrair e manter os moradores assim como estabelecer condições especiais para a instalação de atividades que gerem uma re-valorização comercial da área pois sem isso a revitalização é apenas temporária e dependerá eternamente do mecenato de verbas públicas. E o projeto tem de ter um caráter saneador, mobilizando a prefeitura, a polícia e os bombeiros para cassar alvarás, proibir ocupações, forçar o encerramento das atividades indesejáveis. Quando Rudolph Giuliani revitalizou o Times Square facilitou a construção de novos hotéis e escritórios, mas também expulsou os peep shows e as atividades ligadas à pornografia, combateu o tráfico de drogas e a vadiagem.

Dentro dessa perspectiva, o projeto que o deputado Rafael Greca de Macedo vem defendendo para a transformação da antiga sede social do Clube Curitibano em um centro cultural que abrigaria uma sede adicional para a Biblioteca Pública do Paraná é uma idéia brilhante que atende a todos esses critério de revitalização: cria um centro de animação cultural permanente com utilização noturna; dá ampla utilização ao prédio que é amplo, versátil e pode acomodar muitas outras atividades além da Biblioteca, com salões de exposição, salas de reunião, teatro, áreas para aulas e atividades de ensino. Além disso, criará no ponto central da Rua XV, uma "âncora" importante para o renascimento do que é o centro focal da região e da cidade.

A utilização da antiga sede do Clube Curitibano para a Biblioteca Pública devolve ao prédio a dignidade e importância que teve um dia como um dos centros da vida social, política e cultural da cidade e do estado. Lá assistimos, nós os curitibanos de nascimento ou coração, a alguns dos atos mais importantes de nossa cidade. E para mim há ainda um significado adicional precioso, pois foi naquele prédio que comecei um namoro com a dona Elizabeth que já dura 40 anos. Para coroar um projeto tão brilhante, por que não dar o nome de Helena Kolody ao Centro Cultural que irá se instalar? É um dos poucos nomes à altura da importância do prédio. E talvez seja um dos poucos prédios à altura da importância do nome.

Belmiro Valverde Jobim Castor é professor do Mestrado da FAE Business School e membro da Academia Paranaense de Letras.

Fonte: Gazeta do Povo, Caderno Paraná, 21 de agosto de 2005

 


- Postado em 19 de agosto de 2005, sexta-feira -

No orçamento da União em vigor, um mês de pagamento de juros corresponde ao dispêndio anual de todo o SUS - Sistema Único de Saúde. Quinze dias de pagamento de juros correspondem ao gasto anual com Educação. Dez dias correspondem aos recursos do "Bolsa Família", o orgulho de Lula, que unificou quase todos os programas de distribuição de renda de FH. Um dia de pagamento de juros cobre com sobras o gasto anual para construção de habitações populares. Um minuto do pagamento de juros corresponde à locação anual de recursos com a defesa dos direitos humanos no Brasil, diz o documento do PMDB "Para mudar o Brasil".

Lúcido Lessa
O mesmo documento, inspirado pelo economista Carlos Lessa, ex-presidente do BNDES, diz: "Tamanha deformação dos gastos do Estado provoca um aumento irracional da dívida externa. Pois as obras em curso, muito insuficientes, acabam sendo realizadas com financiamentos do Banco Mundial ou do BID - Banco Interamericano. Nos endividamos em dólar, no exterior, para realizar obras - como as realizadas em rodovias, ou sem saneamento básico - que não exigem nenhuma importação de bens e serviços. Elas poderiam ser completamente financiadas em moeda nacional".

Custa caro ser pobre
Os recursos para financiar obras públicas existem, mas estão presos em uma engrenagem perversa. O superávit primário, no nível praticado hoje, significa que o Governo retira da economia cerca de R$ 80 bilhões por ano, recolhidos do povo, para pagar parte dos juros da dívida. O primeiro efeito e o mais perverso deles, é produzir uma transferência de renda dos pobres (os maiores pagadores de impostos ) para os ricos ( que detém os títulos da dívida).

Inimiga das lavras de areia
Não convidem para a mesma mesa a promotora de Justiça da Comarca de Araucária, doutora Stella Burda, e os membros da Associação de Areeiros do Paraná. A promotora embargou todos os areais do município, provocando grande celeuma social. E, ao invés de destinar a arrecadação de multas ambientais ao Fundo Estadual de Meio Ambiente, estaria privilegiando uma única ONG local, dizem os advogados dos areeiros.
Dizem, também, por ali, "é mais fácil vender droga em Araucária do que extrair areia".

Talvez tenham razão
Não quando se quer acabar com uma atividade econômica com mais de 150 anos de tradição no alto vale do Iguaçu. Mas sim, quando se fala, que "é mais fácil vender droga em Araucária do que extrair areia" (sic). Prevalecendo esta visão obtusa do papel do Estado, o tráfico de drogas crescerá e muito. E a nossa desgraça também.
Afinal, a pior poluição é a miséria.

Melhor cavas que favelas
A posição apaixonada da promotora de Araucária contrasta com a necessária serenidade para a busca da justiça. As lavras de areia, na bacia do alto rio Iguaçu, a partir do bairro curitibano de São Pedro de Umbará, são tradicionais. Melhor termos cavas do que favelas. Aliás, sobre estas, o Ministério Público do Meio Ambiente não tem se manifestado, inclusive quando há invasões em áreas de mananciais. Seria conveniente agirem. O Ministério Público é importante por demais para a democracia. Não pode ter partidos ou lados de atuação.

Padre Vieira definitivo
Para arrematar este raciocínio sobre pessoas impedidas de trabalhar honestamente, uma frase do padre Antônio Vieira: "Nem todas as misérias do mundo são ignorâncias. Mas todas as ignorâncias do mundo são misérias". No livro "As lágrimas de Heráclito e o riso de Demócrito".

Marinas proibidas
As 50 marinas existentes no litoral do Paraná estão em situação irregular, diz Lindsley Raska Rodrigues, presidente do Instituto Ambiental do Paraná - IAP . Toda e qualquer nova construção vem sendo embargada. Há algumas, como as construídas no canal do DNOS, em Pontal do Paraná, sob investigação da Polícia Federal. Há outras, como a Marina Porto Estaleiro, de João Bosco Azevedo, sendo objeto de embargo e autuação.

Seriam nocivas as marinas?
Em tempos de Prodetur é oportuna a discussão: serão todas as marinas nocivas ao meio ambiente e à sociedade? O fato de gerarem empregos e renda, não combate a miséria, que é a pior das poluições? Por que sociedades desenvolvidas, como as dos EUA, de Espanha e a da Itália, tem tradição de marinas? É preciso que a costa inteira seja área de preservação permanente?

Doe Cultura
Começa a feira do Livro Positivo. A novidade deste ano é a campanha ‘Doe Cultura’. Os visitantes e alunos que doarem livros, cds, gibis, revistas e fitas de vídeo com conteúdo educativo receberão em troca cupons para concorrer a 10 vales FNAC e kits culturais oferecidos pelas editoras que estarão participando da feira. As doações serão revertidas à Fundação Pró-Renal, que vai destinar o material para as clínicas de hemodiálise dos Hospitais Evangélico e Cajuru, e Clínica de Doenças Renais. Mais informações ligue (41) 3335-3535.

Na Internet
Convido os meus leitores a visitarem a minha página na internet no endereço: www.rafaelgreca.org.br. No site é possível conhecer a minha trajetória política, como prefeito, deputado estadual, federal e ministro de Esporte e Turismo. O leitor também poderá se informar sobre todos os projetos de lei propostos por mim e as notícias sobre o meu dia a dia como deputado estadual. Confira!

Fonte: Deputado Rafael Greca (PMDB)


- Postado em 17 de agosto de 2005, quarta-feira -

Inaugurado em Curitiba há uma semana, o restaurante Prato Popular já apresenta um perfil de seus freqüentadores: guardadores de carro, carrinheiros, panfleteiros e outras pessoas que desenvolvem atividades informais no centro da cidade - o que inclusive é um pré-requisito para ser cadastrado no local. Além de não estar inserido na economia formal, é preciso comprovar a baixa renda para ter o direito de almoçar por R$ 1.

Diariamente, cerca de 150 pessoas são atendidas no local. O cardápio é balanceado e variado, e dá direito a um copo de refrigerante. "A comida é boa e quase de graça. Todo mundo que eu conheço quer vir almoçar aqui. Ninguém quer perder essa oportunidade", conta o guardador de carros Ezequiel dos Santos, de 38 anos.

Também comemoram a novidade o vendedor de doces Domingos Cardoso da Silva e sua filha, a estudante Fernanda Cardoso da Silva. Eles tiveram o cadastro aprovado e, nesta segunda-feira, o almoço foi degustado como um banquete. "Para a gente é muito bom pois agora podemos comer algo fresco e quente. Antes, trazíamos marmita, que sempre se repetia e já estava fria na hora do almoço", lembra o vendedor. "Vim porque meu amigo me indicou. Disse que a comida era boa, o lugar era limpo e o preço bom. E não é que é tudo isso mesmo?", descobre o aposentado Benedito Honorato da Silva.

Segundo a assessoria de imprensa da Spaipa, empresa responsável pelo projeto, só na última semana já foram mais de 250 inscrições - mas só 80 foram aprovadas Desde o lançamento do projeto, no dia 9 de agosto, foram 290 cadastros aprovados. O local tem capacidade para atender de 350 a 400 pessoas por dia. Após preencher a ficha de inscrição, o interessado também passa por avaliação e entrevista.
Para entrar no restaurante, o indivíduo passa o dedo polegar num leitor óptico, que automaticamente reconhece as digitais e libera a catraca - tudo para evitar fraudes.

Serviço: Os interessados em se inscrever no restaurante popular devem preencher as fichas no próprio local, das 9 horas às 10 horas e das 14 horas às 16 horas. O endereço é Rua Presidente Faria, 481 - em frente ao Passeio Público.

Curitiba já teve outras iniciativas:

Curitiba teve seu primeiro restaurante a preços populares em 1994. O projeto Refeições Curitibanas foi lançado pelo então prefeito Rafael Greca, hoje deputado estadual. O restaurante ficava embaixo do Viaduto do Capanema, próximo à rodoferroviária, e o preço da refeição também era R$ 1. "Minha intenção era combater a fome e ajudar a valorizar o real, que tinha acabado de ser lançado no país", conta Greca. Segundo ele, o restaurante, que servia almoço e jantar, chegou a oferecer 2,5 mil refeições por turno. A diferença é que, na época, não havia cadastramento. Qualquer pessoa podia freqüentar o local, que fechou em 1996.

Rua da Cidadania

Outro restaurante popular foi inaugurado, mais tarde, na Rua da Cidadania da Matriz. Hoje, o restaurante continua atendendo, mas a iniciativa é totalmente privada e o preço é R$ 1,30. Para Greca, o projeto Prato Popular é válido, mas não é suficiente. "Curitiba precisa de, pelo menos, 20 restaurantes como esse pois a clientela é humilde e em grande número", diz o deputado.

por Mauren Lucrecia

Fonte: Gazeta do Povo, Caderno Paraná, 17 de agosto de 2005


- Postado em 12 de agosto de 2005, sexta-feira -

O sul do país está isolado. Não bastasse o gargalo causado pela ponte caída do Capivari, os usuários da Br 116, entre Curitiba e São Paulo, agora enfrentam obstrução de tráfego em Miracatu, SP, no km 366, com as obras da ponte sobre o rio Lourencinho. As esperas são de até 6 horas e levam caminhoneiros e viajantes à loucura. Os jornais da manhã, de São Paulo, também chegam atrasados em Curitiba. A viagem de ônibus está demorando de 10 a 12 horas pela BR da morte.

Porque Lula não cai
O lucro dos bancos é estratosférico.Enquanto o Itaú lucrou , no primeiro semestre de 2005, R$ 2,475 bilhões , o Bradesco, primeiro lugar no ranking, lucrou R$2,621 bilhões, 109,7% a mais do que os lucros em 2004. Viva Palocci, como dizem na Globo, "está fazendo a lição de casa!"

O Porto é nosso
A audiência com o superintendente da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa), Eduardo Requião, está marcada para acontecer no dia 22 de agosto, na Assembléia Legislativa do Paraná. Esta semana, só sucesso, com o Seminário Internacional de Gestão Ambiental Portuária. Estão presentes dirigentes de importantes portos mundiais: Barcelona, Le Havre, Montevidéo, Rotterdam, Kobe, Valparaíso, Santos

Justa homenagem
O deputado Carlos Simões entregou o título de Cidadania Honorária do PR ao valoroso jornalista Mussa José de Assis. Gostaria de ter feito o discurso de elogio ao simpático mestre da comunicação, que resistiu bravamente aos anos de chumbo da censura e da ditadura.

Shalom
O Movimento de Irmãos da Igreja Católica, em Curitiba, comemorou 35 anos na segunda-feira passada (8) e teve sua reunião de número 300. Estava presente dona Deolinda Lustosa, que coordenou o encontro nº 1. Na sede de Santa Quitéria, em Curitiba, inauguraram memorial de gratidão, onde homenageiam todos os que apoiaram seus trabalhos sociais , e aí, bondosamente, me incluem. Quando prefeito de Curitiba tive a alegria de viabilizar o terreno para a sede própria do Movimento de Irmãos.

Turismo, invenção de empregos
Geraldo Linzmeyer, responsável pelo mais charmoso hotel de Joinvile, o Anthurium Palace, no antigo palácio dos bispos da metrópole de Santa Catarina, agora investe em hotéis de negócios, a rede Hotel 10. Abriu um na Cidade Industrial em Curitiba, e está programando outro para União da Vitória, quando setembro vier. O empresário é um inventor de empregos, através do turismo.

Ballet sobre rodas
Em nome de tornar todo sonho possível, a cidade de Castro criou o "Ballet sobre Rodas". Original iniciativa da professora Gisele Ávila Coradassi (fone 42.99168419), para sociabilização de deficientes físicos. O sonho dos cadeirantes bailarinos são 15 cadeiras de rodas iguais àquelas usadas para jogos de basquete, com rodas inclinadas e encosto mais baixo. Estou pedindo à Associação das Senhoras de Deputados que comprem os equipamentos em nome da igualdade de oportunidades.

Homem Palco
É, sozinho, palco singular e múltiplo espetáculo. Veste armação donde pende vistosa cortina de veludo vermelho. No proscênio improvisado desfilam títeres e marionetes. Criativo artista paranaense. Apresenta-se acompanhado apenas de um outro menestrel, este de viola em punho e chapéu emplumado.

Eu os vi na rua, em Carambeí, depois da inauguração da Biblioteca Pública. Fascinavam as crianças. Puro alhumbramento. Seu nome é Marcelo Santos, o homem palco. www.marcello.pro.br

Pró-jogo
Estranhamente, cartazes do Ministério do Turismo assinados pela Embratur, mostram fotos da roleta do Cassino Iguassu, - fora do território nacional. Não seriam as exuberantes Cataratas, Itaipu, e o maravilhoso Parque Nacional atração suficiente?

Dendroclasta
É assim que o dicionário qualifica quem derruba as árvores. Vem do grego, "dendros"-árvores, "clasta"-destruidor. O campeão brasileiro da sinistra modalidade é o fazendeiro José Dias Pereira, que, no Pará, em São Félix do Xingú, derrubou em 2004, área equivalente a 2.800 campos de futebol.

Sem responder processo, desmatou agora, 8.900 hectares, o equivalente a exatamente 8.900 campos de futebol.

Breve história da Medicina
Em 500 dC, os médicos diziam: "coma esta raiz e você ficará são". Em 1000 dC, exortavam "raiz é coisa de pagão. Faça oração ao Deus que está no céu e tudo cura". Em 1792 dC, os médicos diziam "quem reina é a razão, tome esta poção". Isto mudou em 1917, quando passaram a dizer "poção não resolve, tome este comprimido". Durou até 1950, quando disseram "comprimido não cura, tome antibiótico". Agora dizem "antibiótico em excesso não é recomendável. Use esta raiz". Delicioso painel da história das mentalidades, diante da dor e da morte, em busca da cura do corpo e da alma, prólogo do livro "A Assustadora História da Medicina", do médico inglês Richard Gordon. Leitura imperdível e divertida. À venda na Livraria do Chain, em Curitiba.

Na Internet
Convido os meus leitores a visitarem a minha página na Internet no endereço: www.rafaelgreca.org.br. No site é possível conhecer a minha trajetória política , como prefeito, deputado estadual, federal e ministro de Esporte e Turismo. O leitor também poderá se informar sobre todos os projetos de lei propostos por mim e as notícias sobre o meu dia a dia como deputado estadual. Confira!

Fonte: Deputado Rafael Greca (PMDB)


- Postado em 10 de agosto de 2005, quarta-feira -

Nesta segunda-feira (8), Curitiba ganhou mais um restaurante de R$ 1,00. O primeiro restaurante do tipo foi idéia minha. Mandei abri-lo quando era prefeito da nossa adorada cidade, em 1994.

Ali embaixo do Viaduto do Capanema. Foi um sucesso, entre carrinheiros, humildes, ferroviários, aposentados e trabalhadores do Mercado Municipal. Recebi, na época, lindas cartas. A mais ilustre, de Betinho, o irmão do Henfil, aquele que sonhou o "Fome Zero" que Lula ainda não fez.

A mais bonita, de um aposentado que agradecia ao então "Prefeito Greca o privilégio de ter podido, pela primeira vez na vida, levar a mulher, a filha e a neta, comerem fora, num restaurante". Chamado "Refeições Curitibanas", o meu "Restaurante de Um Real" do Capanema ganhou filial na rua da Cidadania da Matriz, na Praça Rui Barbosa, e foi imitado no Brasil inteiro. Propus que meu sucessor na Prefeitura abrisse outros restaurantes nas 8 ruas de Cidadania. Avarento, ele não abriu.

Prato popular
O novo restaurante de R$1,00 é do Governo do Paraná, iniciativa de Requião, através do secretário Milton Buabssi, em parceria com a Coca-Cola, a Puras Refeições Industriais, e o Embratel Convention Center. Fica em Curitiba, na Presidente Farias 481, esquina com Carlos Cavalcanti, em frente ao Portão do Passeio Público. Destina-se, preferencialmente, à clientela humilde do HC. As refeições custarão um real e a capacidade será de 300 refeições por vez.
Deus abençoe a mesa farta, a R$ 1,00.

Omelete sem ovos I
O Hospital de Clínicas fez 44 anos nesta segunda-feira (8). Antes orgulho da Universidade Federal do Paraná, agora sobrevivente, funcionando a custa de doações de toda a sociedade civil. Ainda o valoroso endereço da solidariedade social, embora cada dia mais parecido com um "omelete sem ovos". Eu explico: o governo federal quer que o SUS funcione sem investir nele.

Omelete sem ovos II
Para marcar o aniversário do HC, foi inaugurada uma Central de Agendamento. Médicos professores como os doutores Paschini, Giovanni Loddo e Marlus Moro têm se engajado pessoalmente na auto-sustentação do Hospital. Moro conseguiu do Provopar, através de Lúcia Requião, a doação de R$ 95 mil e está renovando o andar da Neurologia. Hoje, Paschini merecerá para seu Centro de Medula, a renda do concerto da Sinfônica de Israel.

Grande noite
Hoje, a Filarmônica de Israel, sob a regência do maestro Zubin Mehta, apresenta a Sinfonia Novo Mundo de Dvorák e a Sinfonia nº 5 de Beethoven, no Teatro Guaíra, pró-Associação Alírio Pfiffer, que apóia transplantes de medula óssea do HC. Imperdível. Os ingressos da platéia central a R$ 350 possibilitam convívio com a orquestra e o maestro Mehta, durante coquetel, preferencialmente em inglês.

Graciosa Capela
Esta semana, Antonina está em festa, com o novenário de N.Sra. do Pilar da Graciosa. E vê crescer seu turismo. Mauro Maranhão, depois do sucesso do hotel Camboa, em Paranaguá, acaba de comprar o hotel Capela. Defronte ao belo Theatro Municipal, o Caffe Theatro onde o cafezinho é servido com rama de canela mergulhada em chocolate. Lindamar Silva ostenta coleção de bules em antigas porcelanas. Na praça Coronel Macedo, casarão rosado guarda o Buganvil, restaurante de delícias do mar, dos holandeses Anny Snoeyer e Tony Bruinjé.

Chão de estrelas
O prefeito de Antonina, Kleber Fonseca, e seu secretário de Turismo, Eduardo Nascimento, inovam. No último sábado de cada mês, a Filarmônica Antoninense percorre as ruas da cidade, seguida por noventa seresteiros, vestidos de época, a cantar. Cada família tem sua música, gravada em azulejo na porta da casa. Uma é endereço de "As Mocinhas da Cidade", outra de "A Noite do meu Bem", e assim por diante. Puro encantamento.

Aristotypia & daguerrótipos
Fotografias curitibanas antigas, dos estúdios Volk, Weiss e Foto Brasil, feitas entre 1880 e 1930, das coleções Júlia Wanderley, Josephina Deconto Gabardo, Pety Muller, Tereza Fontana, Ivone Valente, Giovani Budel, Josephina Paladino Grillo, Marcos Assenheimer, Paulo Grötzner, Laís Amarante Leão, Regina Wallbach e Júlio Schier, expostas na Casa Romário Martins, ilustram o boletim informativo nº 127 da memória curitibana, pesquisa coordenada por Christine Vianna Baptista. Imperdível, não se pode negar a evidente necessidade da memória.

Brasil isolado I
As recentes derrotas internacionais do governo brasileiro apontam para isolacionismo. Fracassou a diplomacia do Itamaraty, auto-classificada como "audaciosa e agressiva" pelo governo Lula. Primeiro perdemos, em maio, a indicação do embaixador Seixas Correia para a direção geral da Organização Mundial do Comercio - OMC. Esta semana, perdemos a chance de emplacar João Sayad, economista paulistano, na presidência do BID - Banco Interamericano de Desenvolvimento. Sayad, que é vice no BID, na diretoria de Enrique Iglesias, que deixa o cargo em outubro, ainda corre o risco de perder o posto.

Brasil isolado II
A próxima ameaça de derrota anunciada é não conquistarmos assento permanente no Conselho de Segurança da ONU. "Liderança não se proclama, quem tem a exerce", dizem Celso Lafer e Luiz Felipe Lampreia, ex-chanceleres do Brasil.

Fonte: Deputado Rafael Greca (PMDB)


- Postado em 09 de agosto de 2005, terça-feira -

A inauguração do Restaurante Prato Popular resgata o pioneirismo de Curitiba na implantação deste tipo de empreendimento. Em 1994, a cidade criou o restaurante de R$ 1,00 debaixo do viaduto do Capanema, na Avenida Presidente Affonso Camargo, que foi fechado depois de três anos. Hoje há outro refeitório popular, na Rua da Cidadania da Matriz, a um preço de R$ 1,30.

O primeiro restaurante foi inaugurado pelo então prefeito e hoje deputado estadual Rafael Greca (PMDB), que elogia a reativação do projeto. "O novo lugar é formidável e abrange populações depreciadas do Centro, como prostitutas, moradores de pensões e viajantes", afirmou. O refeitório da Affonso Camargo chegou a servir um pico de 2.500 refeições diárias, mas foi extinto no final da década de 90.

Greca disse que seu projeto original previa dois restaurante da Matriz. "Mas fecharam um deles e também o do Capanema", diz o deputado. A idéia do restaurante popular foi "exportada" para São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Salvador. "O plano rende inegável lucro social ao dar suporte a quem precisa", afirma Greca, lembrando a carta enviada por um aposentado que agradecia a oportunidade de levar a família para almoçar fora pela primeira vez. (CS).

por Carlos Simon

Fonte: Jornal do Estado / Caderno Cidades / 9 de agosto de 2005


- Postado em 05 de agosto de 2005, sexta-feira -

"Quando alertei o DNIT para a instabilidade do solo e a necessidade de estudo geológico aprofundado, no entorno da ponte do Capivari, chamaram-me de incendiário e alarmista", diz Mauro Lacerda Santos Filho, diretor de Tecnologia da UFPR. O professor de engenharia civil tinha razão. A ponte, na ligação entre o sul e o norte do Brasil, em plena BR-116, vai levar, pelo menos, mais um ano para ficar pronta. A cabeceira norte ruiu há seis meses, quando 80 metros de vão desabaram, em 25 de janeiro.

Alerta
Desde o desabamento, o tráfego da BR para São Paulo está concentrado na ponte da outra pista. Que também inspira cuidados. "Sua junta de dilatação cresce a cada dia", diz o secretário Fernando Ghignone, que, freqüentemente passa por ali. No Instituto de Engenharia do PR, o alarme: todas as 115 pontes da BR-116 estariam comprometidas a merecer criteriosa revisão estrutural, revela a engenheira Isis Busse.

Lama e graxa
A leitora e advogada Maria da Glória Bessa Haberbeck escreve, indignada, sobre a licitação para a "engraxataria da Câmara Federal". Edital assinado por Severino Cavalcanti, prevê custos de 3 milhões, 135 mil reais, em doze meses. R$261 mil por mês, R$ 8,7 mil por dia. Estão previstos 3.500 pares de sapatos parlamentares reluzentes, por dia. Maria da Glória pergunta: "Pode? O valor diário, pelas normas do Fome Zero, alimentaria 174 famílias. Em tempos de CPIs, há quem ache que é muita lama para pouca graxa.

Cinderelas do Planalto
Enquanto a Daslu, original e poderosa meca dos ricos e famosos de todo o Brasil, corre o risco de ser fechada por problemas de alvará com a Prefeitura de SP, e o fisco federal, uma Daslu "fake" funciona a pleno vapor num dos gabinetes do Senado Federal. Vende sapatos. Tem todos os números e modelos exclusivos. Quem será o senador protetor das cinderelas?

Sacrifício e doçura
Fábio Barreto investe 4,5 milhões de reais, para filmar "Caravaggio". Saga da Virgem que atrai ao seu santuário, na Serra Gaúcha, peregrinos de todo o Brasil, entre eles, Felipão e Ana Maria Braga. No elenco, Cristiana Oliveira e Luciano Szafir. Mesmo sendo um filme sobre sacrificados peregrinos, o elenco está hospedado no Alpenhaus de Gramado, spa que oferece banhos de chocolate e ervas aromáticas.

Antes prevenir …
O presidente Lula acaba de aumentar a alta magistratura e o procurador geral da República. A remuneração dos ministros do Supremo Tribunal Federal passa de R$ 19,1 mil para R$ 21,5 mil - retroagindo a janeiro deste ano - e a lei já fixa outro aumento, fazendo passar para R$ 24,5 mil, no próximo janeiro. Quer dizer, em apenas cinco meses - de agosto a janeiro - os magistrados terão quase 30% de aumento de ganhos.

Efeito cascata
O problema maior não é o que vão embolsar os notáveis membros do seleto clube do egrégio STF e da Procuradoria Geral da República, mas o efeito cascata, transferido aos 15 mil juízes brasileiros. Calcula-se que será de R$ 484,1 milhões mensais, o custo dos reajustes do Judiciário. Meio bilhão não é pouco dinheiro.

Dois pesos, duas medidas
No governo FH, o então ministro Clóvis Carvalho foi com a família, em avião da FAB, até Fernando de Noronha. O Ministério Público, através do procurador Luiz Francisco de Souza, obrigou-o a reembolsar o Tesouro Nacional em R$ 25 mil. Agora, está comprovado, depois de quatro requerimentos a quatro setores diferentes da República, e sete meses de tentativa, enfim, o deputado Eduardo Paes (PSDB-RJ) recebeu a confirmação de que Luiz Cláudio, filho de Lula, usou avião da FAB para proporcionar férias a 14 de seus amigos. O escândalo eclodiu porque os garotos beneficiados publicaram fotos do feito na internet, mostrando-os na piscina do Palácio da Alvorada, em avião da FAB, lancha da Marinha, sobre o lago Paranoá.

Sibila morta
Luiz Francisco de Souza, procurador de alma petista, estranhamente calou, como uma sibila morta. Aliás, por onde anda?

Biblioteca Pública sufocada
Sobre a necessidade da ampliação dos espaços da Biblioteca Pública do Paraná, 50 anos depois de receber o prédio da rua Cândido Lopes do governador Bento Munhoz da Rocha, algumas curiosidades: quando inaugurou, possuía 20 mil livros em seu acervo. Hoje, a BPP tem 480 mil. Parte deste acervo está num armazém alugado, ainda sem acesso de público.

Os números do tesouro
A seção Paranaense tem 43 mil livros, 602 coleções de jornais paranaenses de todas as épocas, 2.332 coleções de revistas editadas aqui, 892 álbuns de fotografias históricas e ainda, cartazes e micro-filmes.

Um futuro para a Biblioteca
Estou propondo ao governador Requião a ampliação da Biblioteca Pública do Paraná. Um dos endereços possíveis é o prédio antigo do Clube Curitibano, na Rua XV com Barão do Rio Branco, no centro de Curitiba. Poderia ser um centro cultural, reunindo cinemas, confeitarias, um pequeno centro de convenções, moldura da parte paranaense da Biblioteca. O imóvel é histórico: lá deu-se o baile do Centenário do Paraná, a 19 de dezembro de 1953, em presença do presidente Getúlio Vargas, do governador Munhoz da Rocha e dos governadores de Santa Catarina, Nereu Ramos, e de Minas, JK.

Fonte: Deputado Rafael Greca (PMDB)



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