No início de outubro o governo espanhol, diante dos milhares de imigrantes africanos, que tentavam passar do Marrocos para as cidades do sul da Espanha e de Portugal, mostrou planos para construir um muro entre a Espanha e Marrocos no Estreito de Gibraltar. Pelo seu aparato eletrônico e de alvenaria, na encosta do Mar Mediterrâneo, o muro é réplica do vergonhoso Muro de Berlim, derrubado em 1989. E tem mais: a União Européia aprovou no seu parlamento, a criação de uma poderosa polícia de fronteira pan-européia para coibir a imigração, seja ao leste, seja pelo Estreito de Gibraltar, entre a Espanha e o continente africano. Os ricos temem os pobres e não sabem que muros de pouco adiantam.
Muro do egoísmo europeu
O espantoso é que o novo Muro da Vergonha surja num governo socialista e anti-racista como é o do primeiro ministro Zapatero. A explicação está no medo da perda de empregos das classes trabalhadoras da Espanha. Difere o novo muro daquele odioso Muro de Berlim porque é para evitar a entrada de pessoas e não sua saída. A solução está em repartir. “O que não se compartilha se perde”. A solução não é política, é sócio-econômica. Mudar a sociedade para que as pessoas não tentem mais, desesperadamente, escapar de seu próprio mundo.
Resgate social
Em Curitiba, uma pobre mulher dorme há vários dias na marquise do Banco Itaú, na rua XV com Mariano Torres. Na noite de sábado, vi um homem caído na marquise do edifício da esquina da Westephalen com Praça Zacharias. Segunda feira, às 10h30 da manhã cinco meninos de rua, completamente chapados, dormiam, dividindo dois cobertores, na Praça Tiradentes, em frente ao supermercado Demeterco. Sob os viadutos, aí incluído o do Capanema, hoje, prosperam os abrigos de excluídos.
Por onde anda o Resgate Social? Por onde anda a F.A S./SOS, com seus educadores de rua, antes atentos e solidários aos mais pobres? Será que a miséria aumentou tanto que o serviço não vence? Ou as verbas de ação social diminuíram tanto que já não dá para fazer o serviço? Alô, alô, Prefeitura! Se não forem criadas “igualdades de oportunidades para todos os habitantes”, Curitiba corre o risco de ser “invadida” pela mendicância.
Lição da História
Este pânico do contraste social gera insegurança. Se a Cidade for atenta e justa com os excluídos, o perigo diminui. Afinal, quando os bárbaros de Átila foram invadir Roma, o sábio Papa Gregório Magno disse “os bárbaros não querem destruir Roma, querem apenas ser como os romanos”. Os mendigos não querem destruir Curitiba, merecem as mesmas oportunidades dos curitibanos.
A “cola” no Google
A existência na internet de “sites de busca” – dos quais o mais notório é o Google está prejudicando o acesso de nossos alunos ao verdadeiro “conhecimento”. Alunos têm copiado do computador páginas inteiras e apresentado as mesmas a seus professores como fruto de sua “pesquisa”. Fazem isto mecanicamente, usando as funções “copiar-colar”, colocam a capa e o título e nada aproveitam do “trabalho” escolar. A forma de evitar isto é a escolas exigirem os textos manuscritos. Pelo menos, durante a “cópia” da enciclopédia eletrônica, dá-se alguma memorização, algum aprendizado. Professores devem pedir “análise” dos textos do Google, ou mesmo dos livros, para evitar clonagem de pensamento.
Conhecimento não é plágio. Nasce da reflexão. É o “saber porque sabemos”.
Esperança contra câncer de mama
O anúncio de três estudos, um deles brasileiro, sobre tratamento com a nova droga, “herceptina”, que, quando da quimioterapia, alveja apenas as células doentes. Aplicada no tratamento de mulheres com a doença na fase inicial, a nova droga corta pela metade o risco de reincidência do tumor. Segundo a médica norte-americana Jo Anne Zujewski, do Instituto Nacional do Câncer do Brasil:”Em 1991 eu não sabia que iríamos curar câncer de mama. Em 2005 estou convencida de que vamos fazê-lo”.
Será o apocalipse?
Ecologistas e religiosos fundamentalistas vêem sinais do “fim do mundo” na seca dos rios amazônicos, no tsunami de 26 de dezembro do ano passado, nos vários terremotos e nos 21 furacões que assolaram o Caribe e os EUA este ano. O caudaloso rio Negro diminui seu nível de 23 metros – na cheia – para 15 metros. O rio Solimões de 12 metros para 2 metros. E o rio Madeira de 13 para 2 metros. Muitos igarapés estão secos, privados do acesso por barcos.
Seca no Amazonas, inundações ao sul
O forte temporal que atingiu o Rio de Janeiro na manhã da última segunda-feira (24) provocou caos em vários pontos da cidade. Três pessoas morreram: um casal eletrocutado, na favela da Rocinha, depois de encostar num fio de alta tensão, e um homem atingido por um raio, em frente à Rodoviária Novo Rio. Em quatro horas choveu 90 milímetros, o equivalente a toda a quantidade de água esperada para o mês de outubro. Mais racional que a crença na iminência do Juízo Final, é pensarmos que o terremoto provocador do tsunami mexeu com o eixo da Terra, daí as alterações nos climas.
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