A brutalidade da BR-116 fez novas vítimas. Sexta-feira (25), morreram seis pessoas de uma mesma família. Entre elas, o notável escultor curitibano Ricardo Tod, 42 anos, e sua esposa, Norma Cristina Nascimento Tod. Foi o desastre de um micro-ônibus atingido por caminhão desgovernado, sobre a pista úmida e precária.
Cavalos encantados em bronze
Os Tod, nos idos de 1850, logo que imigraram do Reino Unido, criaram haras no Bachacheri, a casa avarandada e solarenga à beira da antiga estrada da Graciosa, no trecho em que hoje corre a avenida Prefeito Erasto Gaertner. O bisavô, Philipe Tod, trouxe da Escócia os primeiros cavalos puro sangue para o Paraná. Seu haras ficou conhecido como “Parque Inglês”. Na segunda geração abriram atelier de fundição em metais na Rua São Francisco, antiga rua do Fogo. O menino Ricardo, da terceira geração, adquiriu sua paixão pelos cavalos, na casa do bisavô. Hábil e elegante ginete, dominava-os na rédea curta e no trote apressado. Em bronze, ferro ou resina, ele também os esculpia .
Artista jovem e promissor, Tod formou-se nas belas artes em Paris. Fez sucesso na França, com exitosas exposições e prêmios internacionais. Aqui, havia os que invejavam sua perícia no domínio dos metais e também os que não lhe davam o devido valor, como sempre acontece. “Nenhum profeta é rei em sua terra”, ensina o Evangelho.
Fonte da Memória
Quando fui prefeito de Curitiba, pedi a Ricardo Tod que fizesse a Fonte da Memória, defronte à Igreja do Rosário, na Praça Garibaldi. Para marcar o fim de um ciclo na história de Curitiba. No Largo da Ordem, onde antes o cavalo ia beber água, depois de “bloqueado” pelo progresso, o mesmo cavalo passou a derramar água pela boca, encantado em granito e bronze. Referencial do atropelamento do cavalo da “Nona Carolina”, a última carroceira de Santa Felicidade, em acidente com ônibus urbano, em 1994.
Tod vive em sua obra
Quando dos 150 anos do Paraná, em 2003, pedi ao escultor paranaense realizar dois medalhões em bronze para o plenário da nossa Assembléia, evocando 1853, e a série de medalhas comemorativas do Sesquicentenário do Paraná. Obra sua, ainda, os troféus “Guitarra Estrelada”, do recente Festival Paraná de Bandas, da TV Educativa.
No Memorial de Curitiba, guardamos outros dois de seus cavalos encantados. Um gigantesco cavalo marinho, que ele chamou de “Salgado”, vive sobre as pedras da praça coberta, diante do painel de Sérgio Ferro. O outro, cavalo alado, Pégasus curitibano, pousado numa das janelas, ameaça alçar vôo rumo às torres da nossa Catedral. Qual seu” Pégasus”, Ricardo Tod permanece, perpetuado em sua obra.
Possam os anjos velar-lhe o sono com cânticos de glória.
Comandante da PM da capital pode retornar
Requião pode reconduzir ao cargo o Coronel Avelino José Novakowski, afastado por 30 dias do Comando de Policiamento da Capital, com base num relatório da Promotoria de Investigações Criminais (PIC) de Foz do Iguaçu, acusando-o de envolvimento com o jogo e o crime organizado, junto com 8 policiais civis e 3 delegados. O governador leu o relatório e não se convenceu. Achou as acusações inconsistentes. Disse na reunião “Mãos Limpas”, que “não vai liquidar a carreira de um oficial, sem provas. E que, se o Ministério Público não apresentá-las o coronel será reconduzido e receberá pedido de desculpas.”
Ser baixinho não é defeito
Acabou bem a questão dos soldados baixinhos ameaçados de serem excluídos da Polícia Militar por terem altura menor do que 1,65 metros . Eles perderam no Tribunal de Justiça, onde se deu julgamento apenas técnico com os juízes entendendo que “regulamento é regulamento”. O governador Requião foi lembrado por mim de Napoleão Bonaparte, de Getúlio Vargas, e de outros “baixinhos” notáveis. Resolveu mudar o preconceituoso edital do Comando da PM. Assinou decreto, segunda-feira (28). Entre os baixinhos re-admitidos na Polícia, a soldado Solange, com pós-graduação em História, inclusive com brilhante tese defendida sobre “Mitos e antigos rituais funerários”.
Tentaram criar a gerontocracia na Justiça
Alguém, no Tribunal de Justiça do Paraná, tentou impedir a possibilidade de eleição à Presidência do Poder Judiciário, dos 68 desembargadores oriundos do extinto Tribunal de Alçada. Colocaram no projeto de lei, um artigo 8º, segundo o qual “o presidente do Tribunal de Justiça será eleito entre os mais antigos que se apresentarem”. O critério de antiguidade contemplaria apenas os 52 desembargadores do TJ-PR, em minoria. ”Esta gerontocracia (governo dos mais velhos, já existiu na antiga Esparta) passou desapercebida na Assembléia Legislativa. O Governador Requião telefonou para o presidente do Tribunal de Justiça do Paraná, desembargador Tadeu Marinho Loyola e disse que a lei não pode engessar a escolha. Requião vetou o artigo 8º.
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